Ritual Macabro
Já era noite quando quatro amigos chegaram a uma cabine nas montanhas geladas de Montana nos Estados Unidos que alugaram para passar o fim de semana. A neve cobria a casa e os pinheiros em volta e o vento gelado cortava seus rostos com força. Eles olharam para o céu e viram a lua cheia de trás de uma camada grossa e vermelha de nevoeiro. Sorriram uns para os outros, a noite estava mais que perfeita para seus planos.
Eles entraram na cabine, olharam todos os cômodos para confirmar que não havia ninguém. Dois deles foram para fora trazer a bagagem e os outros dois ficaram na sala. Eles foram arrastando os moveis formando um círculo. Quando tudo estava limpo, trouxeram a mesa de jantar para o meio.
Nesse momento os dois que foram para fora entraram na sala carregando um corpo de mulher. Ela estava amarrada e amordaçada. A colocaram em cima da mesa e amarraram seus braços. A mulher chorava e se debatia. Não sabia o que iria acontecer e o que aqueles homens queriam com ela.
Rapidamente eles começaram a espalhar velas pretas, vermelhas e brancas por toda casa. Quando terminaram vieram ao redor da mesa. Um deles colocou uma cruz virada para baixo em seu ventre. Cada um deles tirou um punhal de seus bolsos e fizeram um corte profundo em cada membro da mulher que gritava e se contorcia. O sangue que saia dela era colocado em pequenos vasos de metal. Depois de um tempo eles molharam suas mãos no sangue e esfregaram no rosto deixando a pele vermelha.
Eles deram a mãos formando um circulo em volta da mulher e começaram a repetir as palavras do ritual. Passados alguns minutos a mulher começou a se contorcer mais forte e a gritar com uma voz que não era a sua. Os quatro gritavam o encanto cada vez mais alto até que as velas se apagaram. A cabine ficou completamente escura. Eles se espalharam pela sala tentando acender as velas. Não foi preciso procurar muito porque elas se acenderam por si.
Eles se assustaram ao ver que a mulher não mais estava amarrada na mesa. Ela estava de pé, seus olhos estavam brancos e sua pele pálida como a de um morto. O ritual para invocar o demônio tinha funcionado.
“Vocês chamaram, eu estou aqui. O que querem?” – disse a mulher com uma voz grossa e rouca.
“Queremos te servir, em troca de alguns favores é claro.” – respondeu um deles.
A mulher soltou uma gargalhada que fez as paredes da casa tremer. Os quatro também tremiam de medo e terror e então eles se ajoelharam.
“Idiotas vocês, acham que podem exigir favores meus? Vou levar vocês para falar direto com o diabo.” - disse ela pulando em cima de um deles.
Ela enforcou o primeiro até a morte, os outros três desesperados tentaram fugir, mas não puderam abrir as portas nem janelas, a casa estava lacrada.
“Agora experimentem um pouco do que vão sofrer no inferno, sua nova casa.”
Dizendo isso ela soltou um grito ensurdecedor, os três que ainda estavam vivos caíram no chão tentando tapar os ouvidos, mas era em vão, pois o grito estava dentro de suas cabeças. A mulher andou em direção a porta, cada passo que dava deixava uma marca de fogo no chão. Ela saiu da casa e fechou a porta, olhou para dentro por uma das janelas e balbuciando algo fez o fogo das velas e de suas pegadas se espalharem.
Ela se afastou da cabine que em minutos estava toda em chamas. Observando os homens dentro batendo no vidro jogando cadeiras tentando quebrar o vidro enquanto seus corpos queimavam pouco a pouco ela se contorcia dando gargalhadas.
Horas depois a polícia e os bombeiros encontraram o corpo da mulher deitada na neve e a casa ainda em chamas. A mulher sobreviveu, mas foi incapaz de dizer como foi parar naquele lugar. Nenhum corpo foi encontrado dentro da casa.
____________________________
Casa mal assombrada
Eram duas e meia da manhã quando Levi, Antônio e Arnaldo andavam pelas calçadas sujas de sua cidade. Estavam vagando a mais três horas sem nada pra fazer, Levi odiava fazer isso, preferia estar em casa assistindo TV e comendo, mas sempre acompanhava os amigos porque não gostava de ficar sozinho. Chegaram à antiga estação de trem da cidade que já desativada havia muitos anos.
“Vamos embora daqui, eu odeio esse lugar” – pediu Levi tentando não parecer aterrorizado.
“Deixe de ser medroso” – respondeu Arnaldo. “Vamos até a casa abandona da colina e dar uma olhada, estou precisando de uma aventura.” – completou ele com a voz excitada.
Antônio riu e começou a andar em direção a casa, os outros dois o seguiram. Chegaram ao portão de entrada e olharam aquela imensa construção, era linda e tenebrosa ao mesmo tempo.
Os três jamais viram alguém morando naquele lugar, o dono da propriedade a trancou a mais de cinqüenta anos e não voltou mais, nunca vendeu ou alugou. Os moradores da região até evitavam passar perto com medo, diziam que o lugar era assombrado.
Anos atrás o filho do prefeito daquela cidade estava se casando com uma moça que morava ali. No dia do casamento, a melhor amiga da noiva a levou para a casa do prefeito dizendo que queria mostrar-lhe algo. Chegando lá elas sobem até o quarto onde o noivo dormia e o encontram na cama com outra mulher. Em um momento de desespero a noiva desce até a cozinha pega uma faca e mata o noivo e a amante. Momentos depois, ela não conteve a agonia e enfiou a faca em seu coração. Supostamente os fantasmas dos três ficaram na casa onde diz à lenda que o fantasma da noiva tortura os outros dois.
Arnaldo foi o primeiro a entrar, pulou o portão e foi em direção a casa. Olhou para trás e viu os outros dois pulando também e continuou até chegar à porta. Levi ficou parado no meio do caminho.
“Eu não entro ai, estou sentindo mal, alguma coisa me diz que agente deveria ir embora.” – disse o rapaz com voz tremula.
Os outros dois não deram importância. Voltaram-se para casa e olharam pela janela. Eles se espantaram porque podiam ver muito bem o que tinha dentro da casa somente com a iluminação da lua que entrava pelas janelas. A sala de entrada era enorme e toda a mobília parecia estar lá, porem coberta com lençóis.
“Opa, a porta da frente esta aberta.” – Disse Antônio já abrindo a porta.
Os dois entraram, o lugar era lindo, descobriram alguns móveis e viram que estava tudo intacto, parecia que alguém estava cuidando de tudo. Antônio decidiu subir para o próximo andar e ver se achava algo interessante. Arnaldo foi ver outro cômodo. Momentos depois Arnaldo escuta Antônio descendo as escadas.
“Vamos embora, Levi esta nos esperando lá fora.” – Gritou Arnaldo para que seu amigo pudesse escutá-lo.
Antônio não respondeu, Arnaldo se virou para ir até a saída e deu de cara com alguém, não pode ver quem era porque a luz vinha de trás da pessoa então só via a silhueta. Uma coisa ele tinha certeza, estava vestida de noiva. Seu corpo congelou então ele riu tentando disfarçando o susto.
“Muito boa essa Antônio, quase me mata de susto. Vamos embora, já tive muito pra uma noite, esse lugar esta me dando arrepios.” – disse Arnaldo irritado.
Antônio continuou calado. Arnaldo ficou inquieto olhando o suposto amigo e começou a andar em sua direção, a silhueta também se movia ao seu encontro. Algo mudou na visão de Arnaldo, parecia que a silhueta puxou uma faca de lado e ele começou a ficar preocupado e parou de andar.
“Brincadeira tem limite Antônio.” – gritou ele.
A silhueta também parou de andar, a luz da lua iluminou seu rosto e Arnaldo gritou. A imagem o aterrorizou e ele se arrependeu de ter entrado na casa. Ali na sua frente estava o fantasma da noiva, seu rosto podre e olhos vazios não expressavam sentimento e mesmo assim ele sentiu que ela o ia matar.
“Antônio!” – foi a única coisa que ele conseguiu gritar, pois o terror o mantinha congelado e sem ar.
Antônio desceu as escadas rapidamente, quando viu a cena correu direto pra porta gritando. A porta estava trancada, ele a esmurrava, chutava e puxava, mas ela não abria. Levi estava bem perto, mas parecia que não via ou escutava nada. A noiva não deu muita atenção a ele e continuava a encarar Arnaldo que por sua vez correu para ajudar o amigo com a porta.
“Você pensou que iria escapar de mim por toda eternidade querido?” – disse o fantasma se aproximando dos dois.
A noiva agarrou Arnaldo pelo cabelo e apunhalou no coração. O rapaz ficou agonizando por um tempo enquanto Antônio fazia sua última oração.
“Some daqui você não tem nada a ver com esse traste.” – disse a noiva enquanto abria a porta.
“Não, por favor Antônio” – gritou Arnaldo.
Antônio se espantou ao ver o espírito de Arnaldo sendo segurado pela noiva. Escutou um barulho do outro lado da sala e viu o fantasma de outra mulher que parecia estar sofrendo muito. Lembrou-se da lenda daquela casa e então entendeu que seu amigo era a reencarnação o noivo que de alguma maneira teria escapado da tortura eterna.
Ele correu e levou Levi embora com ele. Contou a história a todos mais ninguém acreditou. O corpo de Arnaldo nunca foi encontrado pela policia que vasculhou toda a casa e os arredores. Antônio foi internado em um hospício alguns meses depois, dizia estar sendo assombrado pelos três fantasmas. E quanto a casa, continua lá, sozinha e sombria, talvez esperando sua visita ...
____________________________
Tumulo Velho
Tumulo Velho - História real
Eu sempre ia com a minha mãe ao cemitério, que ficava alguns blocos da minha casa, no dia de finados visitar os nossos parentes e amigos. Em 2007, como todos os anos fomos bem cedo para não pegar o cemitério cheio e claro menos vendedores ambulantes na porta. Minha mãe sempre fez questão de visitar todos parentes daquele cemitério o que às vezes demorava horas. Eu como nunca tenho nada melhor pra fazer sempre a acompanho e me divirto olhando as fotos dos mortos nas lápides e lendo suas mensagens. Até então eu não sabia que esse seria o último ano que eu iria a qualquer tipo de cemitério. Acontece que eu passei por um tumulo velho e mal cuidado, tinha uma rachadura enorme no meio. Eu ri e fiz um comentário de muito mau gosto do tumulo e do coitado que ali estava enterrado. Fomos embora depois de um tempo, quando eu estava saindo um mendigo me pediu dinheiro, nem respondi fui embora sem falar nada. Eis que o homem me seguiu até a porta do prédio onde moro no sexto andar. Subi pro meu apartamento e fiquei observando o homem pela janela que às vezes me olhava de rabo de olho até que ele desapareceu pela outra esquina. Naquele mesmo dia de noite, eu fui tomar banho quando acreditem ou não, alguém bateu na janela do banheiro (lembre-se que eu moro no sexto andar). Gritei como louco até minha mãe tocar na porta do banheiro, quando ela abriu achou que eu estava morrendo, pois estava pálido e a ponto de desmaiar. Contei tudo pra ela e meu irmão, mas ninguém acreditou. Olhamos pela janela e tudo estava como deveria estar. Naquele dia pedi pra dormir no quarto do meu irmão, ele zoou com a minha cara mas acabou deixando. Estávamos a ponto de dormir quando na janela apareceu alguém andando do lado de fora, meu irmão viu primeiro e gritou, quando eu olhei era aquele mendigo. Ele gritou comigo e disse pra nunca mais desdenhar da morada dos outros, imediatamente eu me lembrei da minha piada no cemitério. Minha mãe entrou no quarto, desta vez meu irmão era testemunha e ela acreditou. Pegamos a bíblia e oramos por varias horas, nunca mais vi o homem e nunca mais voltei a pisar em um cemitério .
____________________________
Desejos
Ela estava tomando banho. Era uma das partes mais divertidas do seu dia. Ali podia pensar, viajar em seus sonhos, afinal, ninguém iria entrar ali. Era o seu refúgio.
Seus pais viviam reclamando que ela demorava muito no banho e ameaçavam começar a cobrar a conta de energia. Ela nem escutava.
Ali, podia fingir ser qualquer coisa, qualquer pessoa. Podia conversar com as paredes, imaginar estar rodeada de celebridades, ser alguém muito importante, talvez até presidente! Mas tinha que falar baixo, pois seus pais por muitas vezes conseguiam ouvir suas conversas, e caçoavam dela por isso.
Imaginava ser alta, magra, bonita, morena, de olhos claros… Imaginava ter muito dinheiro, poder viajar pelo mundo, conhecer muitas pessoas diferentes. E imaginava namorar alguém legal, de preferência um ator ou cantor. E por muitas vezes chorava, pois não era nada disso. Era baixinha, gordinha e seus olhos eram castanhos. Não tinha dinheiro, só o que seus pais lhe davam de mesada, o que não dava nem para comprar uma calça.
Ás vezes chorava muito, e desejava com todas as forças que tudo aquilo com que ela sonhava se tornasse realidade, como em um passe de mágica. E se desesperava quando abria os olhos e via que nada acontecia. Mas foi diferente desta vez.
Quando ela abriu os olhos, o que viu não foi a parede do banheiro. Foi alguém, ou algo, que talvez muitos de nós, os que acreditam é claro, não desejariam encontrar jamais.
- Boa noite, moça. – disse a coisa com uma voz rouca, que parecia fazer eco dentro de si mesmo.
Ela não conseguiu responder. Sua respiração se tornou ofegante, os olhos se arregalaram, a boca se escancarou. Mas nada saia dela.
- Não precisa se assustar, não vim lhe fazer mal, apesar do que falam de mim por aí, não isso tudo não, sabe.
Mais uma vez ela não conseguiu dizer nada. Mas pelo menos conseguiu fechar um pouco a própria boca.
- Então, tenho ouvido suas conversas diárias com a parede do banheiro. Ouvi também seus choros, criança. Sabe, se eu fosse um qualquer, diria pra você aceitar o que você é e talz. Mas né, não sou um qualquer, como você deve saber.
Neste momento ela conseguiu balançar a cabeça em afirmativo, pois sabia muito bem o que era aquela criatura, o padre já lhe alertara sobre isso desde muito nova.
- E como eu meio que cansei de assistir você chorar, pensei: porque não realizar estes sonhos todos? Eu posso fazer isso. – disse a coisa, balançando os ombros.
- Mas como nada vez de graça – nem do branquinho lá – é claro que quero algo em troca.
- Minha alma? – apesar de ter conseguido recuperar o fôlego para dizer esta pergunta, os olhos ainda estavam arregalados.
- É. Simples e direto, sem complicações, sem provações e essas baboseiras todas. Te dou três desejos e você me dá a alma. Simples assim.
- E o que acontece quando eu morrer?
- Você sabe o que vai acontecer.
Por um momento, a reação automática que quase saiu foi a de recusar a oferta. Já havia sido doutrinada a isso na igreja. Mas pensou de novo.
- Se você recusar, criança, não me verá mais. Pense bem, é a sua grande chance.
Então ela considerou realmente a oferta. Era jovem e infeliz. Com três desejos, podia se tornar rica e linda. Podia viajar o mundo. Podia conhecer muitas pessoas. Podia arranjar um namorado. Podia ser feliz, finalmente.
- Como é lá? – perguntou, na esperança de que não fosse tão ruim.
- Não posso lhe responder isso. É contra as regras, não minhas é claro, que os vivos saibam do lado de lá. O que eu acho muito chato, sabe.
Então ela ponderou. Será mesmo tudo isso que falam todo domingo? Será que não é suportável? E então ela pensou em tudo que poderia ser. Tudo o que sempre sonhou se realizar assim, em uma passe de mágica. Por fim, concluiu: foda-se.
- Meu primeiro desejo é ser rica, muito rica.
- E como você quer ser rica? Sabe como é, tem que ser de acordo com a regras daqui. Como você explicaria milhões aparecendo na sua conta bancária assim, do nada?
- Tá, então quero saber os números que vão cair na megasena de sábado.
- OK, feito. Estão anotados na sua agenda, em cima da sua escrivaninha.
- Meu segundo desejo é ser linda, muito linda. Quero ter olhos azuis, lábios carnudos, alt…
- Péra, péra, péra. É muita coisa pra um desejo só. Sabe, cada coisa aí que você disse tem que usar um desejo. Você está trapaceando.
- Hmm… Então posso usar um desejo para pedir desejos extras?
- Hehehe – a coisa deu uma risadinha maliciosa – pode sim, mas isso irá lhe custar cinco anos da sua vida.
- Bom, e quando eu vou morrer?
- Também não posso lhe responder isso. E não adianta usar um desejo para prolongar a sua vida. Quem dita essas regras é osso duro, cê sabe.
- Então, vou usar um desejo para ter uma boa saúde e nunca ter doenças.
- Mas ainda restam os acidentes.
- É só eu tomar cuidado. Então vejamos: assumindo que posso viver até os 90 anos, se eu tiver uma saúde boa, acredito que posso sacrificar 30 anos, para viver até os 60. 90 anos é muito. Isso me rende 6 desejos extras.
- Se você diz… – disse a coisa, sorrindo.
- Muito bem, é isso. Meu segundo desejo é nunca ter nenhuma doença, nunca.
- Feito.
- Meu terceiro desejo é medir 1,75.
- OK.
E neste momento ela esticou. Viu o chão se afastar um pouco. Vendo que surtiu efeito imeditato, começou a usar os desejos extras. Boca, nariz, cabelos, barriga, dentes, braços. Gastou os seis desejos em pouco tempo.
- Então, mais alguma coisa?
- Não, acho que está bom assim – disse ela olhando-se no vidro do box, admirando seus cabelos novos, boca e tudo o mais.
- Que assim seja. Nos vemos em breve. – disse isso e foi embora.
Ela ficou ali, se olhando no vidro do box, tão feliz que não podia acreditar. Depois de alguns minutos decidiu sair do banheiro para se admirar no espelho do seu quarto, que era de corpo inteiro. Porém, quando ela abriu a porta do box e pisou no azulejo do lado de fora, este estava molhado e ela escorregou. A cabeça bateu na beirada da privada, quebrando seu pescoço, causando a sua morte. Morreu linda e rica, porém.
____________________________
Coisas da Vida após a Vida .
Adelaide conheceu bem o que é o preconceito. Depois de morrer asfixiada pelo marido, passou três dias enterrada e voltou à vida como zumbi. No começo foi complicado: ela não se lembrava de muitas coisas e ficou perambulando pelas ruas até se ser reconhecida por uma vizinha. Houve muita resistência por parte de sua família em aceita-la de volta, já que fedia a carniça e soltava pedacinhos de si mesma por onde quer que fosse.
Com o tempo, porém, a morta-viva foi voltando à rotina. Divorciou-se de Olavo depois de coloca-lo na cadeia, retomou os estudos, fez as unhas e até adotou um gatinho preto. Seus filhos ainda sentiam um certo nojinho de andar ao seu lado, já que volta e meia um dos olhos cismava em saltar da órbita. A ex-defunta até que achava graça, e começou a fazer mais vezes esse truque, só para pagar de descolada.
Certa noite, Adelaide resolveu pegar um cineminha. Comprou um balde de pipoca, refrigerante light e drops de anis. Estava se acomodando em sua poltrona quando uma gorda reclamou do mau cheiro. Com receio de que as lágrimas corroessem ainda mais o seu rosto, Adelaide saiu de fininho e voltou para casa. Apesar de estar recobrando as memórias e apresentar um certo cuidado com o visual, a zumbi ainda temia a rejeição.
Passava tantas noites em claro que não demorou muito para se viciar em salas de bate-papo na internet. A conversa fluía muito bem, até Adelaide confessar que já havia passado desta para uma melhor. Foram tantas decepções, que resolveu entrar num fórum de taras bizarras. Surpreendentemente, conheceu um necrofilo que morava no mesmo quarteirão e ambos apaixonaram-se perdidamente depois do segundo encontro.
Daí foram domingos inteiros debaixo dos edredons, transas de outro mundo, horas e horas de telefonemas melosos e intermináveis e-mails com poesias apaixonadas. O necrófilo foi o primeira a dizer “eu te amo”, e Adelaide só ficou chateada por não ter mais como morrer de amores por ele, por motivos óbvios. Ambos viveram felizes até o dia em que ela, distraída, foi colocar um bolo no forno e acabou cremada. Coisas da vida após a vida.
____________________________
O dia da Meia - Noite .
Numa cidade do interior de Minas Gerais, chamada Ibiá, conta-se um "causo", que segundo os moradores não é ficção, mas sim realidade. Na década de 60, uma enfermeira, filha de criação de um grande fazendeiro, iria se casar. Linda era a senhorita, cabelos negros e longos, pele morena, corpo de violão, rosto de anjo, lábios carnudos e sensuais. (perai... isso é um "causo" ou um anúncio de massagens?) Seu noivo, um rapaz da cidade grande, segundo boatos, estaria mais interessado nas fazendas da família, do que na voluptuosa senhorita. Chegado o grande dia, tudo estava certo: Uma grande festa na fazenda, a capela já estava ornamentada e o padre se preparava tomando "alguns" cálices de vinho. os convidados chegavam aos poucos, e o comentário era que os noivos viajariam para a "Europa" em lua de mel. No grande momento, eis que entra na capela, a linda noiva, deslumbrando beleza e felicidade. Mas o noivo ao vê-la, corre e no meio da capela grita: - "Sinto Muito! Não a amo. E as fazendas do seu pai não são suficientes para comprar esse casamento." Em seguida o noivo foge e a pobre donzela, aos prantos, se tranca em seu quarto. Pela manhã, ao arrombarem a porta, deparam-se com uma cena horrorosa: A noiva, nua, só de véu e grinalda enforcara-se com lençóis. Estava pendurada no lustre do seu quarto. A data do casamento: 20 de Maio. Conta-se que até hoje, nesta mesma data, à meia noite, a linda noiva aparece, nua, cavalgando pelas ruelas da pequena Ibiá, dando gritos de horror e desespero!
____________________________
O Espelho .
Nancy Fieldman, uma garota bonita e inteligente, de origem humilde, trabalhava em uma mansão na Inglaterra, juntamente com sua mãe por volta do ano 1870. Segundo a historia, Os senhor, dono da mansão onde Nancy e sua mãe trabalhavam era um homem com sérios problemas de personalidade, um "psicopata" sem escrúpulos, que tratava as duas muito mal, deixando para elas apenas as sobras de seus frequentes banquetes e um quarto frio onde as duas se acomodavam durante a noite, naquela mansão com inúmeros quartos quentes que ficavam trancados para o uso apenas dos hospedes e convidados. Devido ao tratamento desumano e também a uma anemia profunda, a mãe de Nancy veio a falecer, deixando para sua filha seus únicos bens materiais, uma pequena boneca de pano e um espelho emoldurado em mármore, deixado por seu pai com o seguinte dizer: "Serei o reflexo de tua alma onde quer que esteja" (entalhado na parte inferior do espelho). Nancy era uma garota tímida, porem muito sorridente, entretanto, com a morte de sua mãe, Nancy entrou em uma forte depressão e queria abandonar a mansão. O dono da mansão, sabendo de suas intenções, trancou a garota em um porão, de onde ela não podia sair, e o que era pior, a garota passou a ser violentada todas as noites naquele lugar. Certo dia, cansada desse sofrimento e sentindo muitas dores, Nancy tentou reagir as agressões a que era submetida, dando um golpe com sua boneca de pano na cara do homem. O dono da mansão, muito revoltado com a garota, esbofeteou-a e a asfixiou com a própria boneca. A garota derrubou o espelho ao se debater e ainda sem ar disse suas ultimas palavras: "Serei o reflexo de tua alma onde quer que esteja"... Semanas depois o homem foi encontrado com os cabelos completamente grisalhos, morto sem explicação com um pedaço do espelho entre as mãos. Ate hoje a morte desse homem tem sido um mistério, dizem que muitas pessoas morreram ou ficaram loucas após se apossarem daquele pedaço de espelho, muitos dizem ver o reflexo da pequena Nancy .
____________________________
UM TERROR REAL - ACONTECEU
Léo, a esposa Nara e a filha Paty foram para Goiânia, para as festa de fim de ano visitar a família de Nara, uma viagem longa, cansativa.Lá chegando foi uma choradeira só, fazia algum tempo que não se viam as irmãs de Nara nem conheciam a Paty. Acomodaram-se e lancharam.
Depois do descanso da viagem Léo comentou com o sogro que tinha parentes que residiam naquela região de Goiânia, gostaria muito de visitá-los, mas não sabia como ir. Sr. Lucio se prontificou em levá-los se fosse da vontade de Léo. Como morava a muitos anos em Goiânia conhecia bem a localidade.
Tudo combinado, no domingo logo pela manhã saiu Leo, Nara, a filhinha Paty e o Sr. Lucio. Por volta das onze horas chegaram ao local. Os parentes os receberam com muita alegria, tio José, tia Santina e um casal de primos, Sandra e Marcelo.
Sandra era casada, e tinha um filho de três anos. Residia na edícula existente nos fundos da casa do tio José. O primo Marcelo com vinte e poucos anos solteiro morava com os pais. Feitas as apresentações resolveram ficar para o almoço.
Enquanto tia Santina ia preparando o almoço, Léo conversava com o tio José animadamente, relembrado tempos de infância, contando e ouvindo histórias, muitas gargalhadas. Assim prosseguia e Léo nem notava que o primo Marcelo não tirava os olhos de Nara, a mesma percebeu, retraiu-se e ficou preocupada.
Reunidos à mesa, Léo então levanta a taça de vinho convidando todos para um brinde. Almoçaram em clima de festa, pois era véspera de Natal, e há muito Léo não via tios e primos, estava eufórico.
Terminado o almoço, Nara pede licença levanta-se e vai até o banheiro. Nota que é tudo muito humilde, a casa ainda em fase de acabamento, o banheiro sem forro. Nara abaixa a roupa, senta no vaso sanitário pensativa, pois notava algo estranho no primo Marcelo, ele não parecia uma pessoa normal, tinha algo que ela não conseguia captar. Ele era calado, de olhar estático, por isso Nara sentiu um arrepio de medo. No momento que Nara usava a ducha para se lavar sentiu um respingo em seu braço. Ao se levantar para subir a roupa olha para cima e para sua surpresa vê Marcelo em cima da parede a espiá-la com o membro exposto se masturbando com olhar fixo tentando saltar para dentro do banheiro. Nara apavorada gritou, mas a voz não saiu. Tremula conseguiu abrir a porta e foi até a sala onde os demais se reuniram para um cafezinho pós almoço. Tremendo muito se sentou, pegou sua filha Paty e não desgrudou dela.
Vendo a felicidade de Léo e dos tios, decidiu não contar o ocorrido. Passado a tremedeira Nara contou ao seu pai Sr. Lucio que com jeitinho contou para Léo. Decidiram não falar nada, pois os tios estavam contentes demais, não iriam estragar aquele momento.
Marcelo não apareceu mais. No fim do dia despediram-se e foram embora. Voltaram à casa dos pais de Nara perplexos com o acontecido. O Sr. Lucio disse que também achou Marcelo muito esquisito, não parecia mesmo ser um rapaz normal.
Mas enfim, deixaram esse assunto de lado, e foram todos se preparar para a ceia de natal. Sr. Lúcio e dona Narinha, muito felizes com os filhos e netos presentes, passaram a ceia de Natal com muita festa, união e alegria, um Natal inesquecível.
Léo não perdeu mais o contato com os parentes a partir daquela visita. Ficou sabendo alguns meses depois através do tio José, que o primo Marcelo havia violentado o sobrinho de três anos, filho de Sandra.
Marcelo ficou preso na penitenciaria por um tempo, depois internado para tratamento psiquiátrico, após um ano de internação morreu no manicômio.
UM CONTO BASEADO EM FATOS REAIS - 12/09/09


Nenhum comentário:
Postar um comentário